A Gestão sobre o estado dos fatos envolvidos em atividades intelectuais, disponível em uma organização inventiva, pode não estar efetivamente relacionada com a realidade exigida pela forma como a gestação de fatos deveria estar disponibilizada. A afirmação pode ser comprovada através da observação dos indicadores das patentes geradas no Brasil, além de não termos dados que retratem não somente a identificação de quem faz o quê, e sim deveríamos ter dados que retratassem como se dar certas investigações e valorações das atividades de gestação e produção dos artefatos científicos e tecnológicos, resguanrdando-se das questões de segurança e direito de propriedade.
Os relacionamentos e comprometimentos entre os grupos de produção do conhecimento, que trabalham com o processo de inovação tecno-científica, e os recursos utilizados na concepção de artefatos que foram produzidos anteriormente, são elementos de definição estratégica para que possamos reconhecer o grau de excelência das organizações inventivas.
França (FRANÇA, JÚNIA LESSA. Et all. Manual para Normalização de Publicações Científicas. Belo Horizonte, UFMG, 1998), ao descrever a importância da ação de registrar o comportamento das ações de um fenômeno pesquisado e dos seus produtos, registra a importância da gestão do conhecimento como um dos fatores de diferenciação na busca da competitividade e produtividade em qualquer área. As pesquisas de algum artefato tecnológico ou científico consolidam-se quando estas passam a existir e a contribuir para a geração de novas investigações, estudo ou pesquisas, onde depois de formalizado em uma forma concisa e estruturada é divulgado segundo normas aceitas pelos órgãos e que possam ser utilizados por pesquisadores ou instituições.
É necessário uma análise sobre o significado da palavra modelo e as suas contribuições, utilizados como ferramentas na organização do trabalho intelectual, assim como descrever uma análise dos aspectos estruturais das atividades intelectuais, finalizando com um relacionamento entre os termos conhecimento, gestão e modelos, complementando a análise que descreve a situação do trabalho intelectual, importância e as suas implicações nas organizações inventivas.
O ciclo de vida de um artefato retrata dados, procedimentos e restrições, exigindo-se recursos metodológicos de natureza complexa, pois para provar e relacionar a veracidade de certos fatos faz-se necessário acessar metodologias, através de técnicas que comprovem e estabeleçam certas valorações científicas e tecnológicas. Já que, na elaboração de um projeto de um artefato, exige-se todo um procedimento que justifique a sua concepção, envolvendo desde uma identificação, assim como a metodologia atribuída, até o seu nível de acabamento.
Quanto ao acompanhamento, faz-se um esforço para que todos os passos sejam registrados, descrevendo as fases pelas qual esta gestação esteja evoluindo. Entretanto, o que se constata ao finalizar-se uma gestação é a produção de um artefato ou um conhecimento apresentado como um objeto satisfatório, tendo como anexa a documentação, produto de aprovação ou refutação da verdade ou falsidade estabelecida incialmente. Documentação essa que estabelece o histórico dos recursos utilizados, mas raramente encontramos dados / informação sobre o relacionamento desta com outros projetos de concepção de artefatos os quais foram idealizados, podendo assim não estar retratando os elementos considerados universais, sob a ótica do cientificismo exigido. Mesmo que haja necessidades de difusão das inovações dos processos inventivos nas organizações, tanto no nível interno como no externo, em que deva se resguardar a individualidade dos envolvidos e os critérios de segurança exigidos.
O processo de organização da gestão do conhecimento é de natureza relacional, sendo possível estabelecer indicadores que podem ser analisados e confrontados sob a ótica das formas de organização do trabalho. Indicadores que irão auxiliar a gestão, e obter-se uma melhor utilização que possibilite um reaproveitamento dos elementos que compõem um experimento já realizado, assim como se evitando perda de recursos disponíveis, fazendo saber reconhecer de forma precisa os níveis de prioridades, metas de concepção, e as ações que certos fenômenos podem comprometer a elaboração de um artefato.
Ao analisar organizações inventivas no Brasil, mas especificamente as instituições federais de ensino, pesquisa e extensão pode-se levantar a seguinte questão: Como dispor de uma tipologia sobre a estrutura organizacional nas organizações ditas inventivas no Brasil?
As estruturas organizacionais, no âmbito público, estão organizadas de forma dependente da política organizacional e econômica do governo brasileiro, cujo fluxo de funcionamento depende diretamente das estruturas funcionais que moldam as características da cultura organizacional vigente em cada centro, havendo uma adequação de pessoal envolvido, sejam estes pesquisadores ou técnicos.
Analisar estas organizações como estruturas organizacionais nos limitam a estabelecer um conceito vago e abstrato, pois, como um todo, essas foram projetados como sistemas de atividades estruturadas e com um nível de coordenação (DAFT, RICHARD L. Teoria e Projeto das Organizações. 6 ed. Rio de Janeiro, LTC, 1997), no qual algumas de suas partes são ligadas ao ambiente externo e dirigidas por metas, outras não.
Pesquisa e Desenvolvimento (P & D) em alguns dessas organizações existem como atividades pertinente ao santuário do saber, ou seja, as pesquisas se mantêm afastadas das questões sociais, acreditando-se que essas atividades devam existir por uma questão cultural e a manutenção da erudição do saber (WOLF, ROBERT PAUL. O ideal da Universidade, São Paulo, UNESP, 1993).
A característica de uma organização é fundamentada na composição de pessoas e seus inter-relacionamentos, onde a interação existe como uma forma de realização das funções essenciais que auxiliem o ‘centro’ a alcançar metas, entretanto a tendência é que essas organizações possam comportar-se sob a ótica da administração atual em que há deliberadamente uma coordenação horizontal, em que vários indivíduos participem de alguma atividade ligada a algum projeto (WOLF, 1993).
As fronteiras do conhecimento tendem a diminuir, tornando flexível a ação sobre certas áreas do saber, pois há necessidades de respostas às mudanças do ambiente interno e externo com relativa agilidade, comportando-se as organizações inventivas como um sistema organizacional aberto. O sentimento de cooperação nunca se tornou tão ávido como atualmente, acontecendo o fenômeno de colaboração até da concorrência no mundo empresarial, através do compartilhamento de informações e tecnologias (WOLF, 1993).
As organizações inventivas públicas podem ser consideradas como sistemas abertos, já que essas dependem do comportamento do ambiente externo, entretanto esta característica dificulta a gestão de recursos já que este ambiente é instável e imprevisível. Essas organizações são formadas por um conjunto de elementos interativos e com um grau de dependência de ações internas e externas as quais objetivando cumprir o seu papel podem estar transformando suas ações em satisfação e produção de artefatos para os indivíduos que compõe os ambientes.
